02/07/2010 15:07
Pjota no Acervo da Choque
Para sua segunda individual, dessa vez no Acervo da Choque, Pjota traz um conjunto de cinco pinturas inéditas com a predominância da cor branca ao fundo. A exposição Considerações Sobre o Branco tem inicio em 3 de julho e segue até 7 de agosto.
Essa é a continuação de sua exposição individual Walking in the White realizada em 2009 na galeria californiana Anno Domini. Considerações Sobre o Branco dialoga com pintura e desenho dentro de um contexto urbano de plasticidade e grafismos e busca referências na história da arte, principalmente, no renascimento, se apropriando de imagens e características próprias da época, trazendo-as ao contexto contemporâneo.
O trabalho aborda a qualidade pictórica presente na cidade e na pintura tradicional, ambos voltados a um universo pessoal e contemporâneo de relações existenciais e sociais. “Tenho como base as características da cidade contemporânea, criando interlocução com a história da arte, para a realização da minha produção artística”, revela Pjota, codinome de Paulo José Nimer Abilel, nascido em 1988.
Além da exposição, Pjota vai reunir seus desenhos em um livro especial de 40 páginas em parceria com a Volcom.
Da monografia do artista
Pelo contato próximo com a cidade comecei a perceber características gráficas e pictóricas presentes na paredes e muros, decorrentes da ação do homem, que me interessavam não só pela carga imagética, mais também, pela história e pelo porquê de tais marcas estarem presentes na cidade.
O registro do “homem das cavernas” sobre a parede assemelha-se muito de perto com o que ocorre hoje nos grandes centros. O espaço comum do transeunte que se locomove pela cidade está sujeito a alterações gráficas ocorridas por suas próprias ações. A passagem do ser humano por locais sociais, pontos de ônibus, banheiros públicos e praças, muitas vezes deixa resquícios, como marcas de pés sobre paredes, rabiscos, colagens e mensagens, que sintetizam a história da humanidade.
As manchas e texturas talvez sejam as características mais comuns das cidades. Uma parede descascada com sobreposições de cores, além da qualidade pictórica, também mostra a ação do homem e do tempo sobre a superfície. As marcas brancas e as texturas que crio nas pinturas são decorrentes deste estudo de campo.
Neste momento a técnica usada para a criação destas texturas se assimila ao que ocorre nos muros. As camadas de tinta raspada, aplicadas sobre a tela, a sobreposição de tons de branco sobre o fundo, e o pensamento similar ao de Jürgen Partenheimer (conversa de Jan Thon-Prikker e Jürgen Partenheimer sobre uma série de desenhos criados para a revista belga Gagarin, Sobre o Ato de Desenhar, 2002, pág.1) onde o ato de apagar se torna construção do trabalho e não simplesmente eliminação de algo indesejado, permitem a construção das texturas.
Junto às características da cidade trago ao trabalho a figuração. Tais desenhos irão compor a tela, e transformar-se-ão em pinturas relativamente pequenas, minuciosas, e cheias de detalhes, que necessitam da aproximação do observador para serem contempladas.
Prestando atenção nos registros gráficos diários, como anotações telefônicas, escritas de roda-pé, entre outros, é possível achar um ponto de encontro entre a cidade, a residência, o papel, o muro e, no meu caso, a tela.
| Cidade: | São Paulo |
| Endereço: | Acervo da Choque | Rua Medeiros de Albuquerque, 250 |
| Inicio: | 03/07/2010 |
| Fim: | 07/08/2010 |
| Horário: | Terça a sábado, das 13h às 19h |
| E-mail: | galeria@choquecultural.com.br |
| Telefone: | (11) 3061-2365 |
| Site | www.choquecultural.com.br |




















