02/07/2010 13:07
Yonamine na SOSO
Atualizar imaginários, subverter tradições. A galeria SOSO arte contemporânea africana, em parceria com a Fundação Sindika Dokolo, abre no dia 02 de julho, às 18h, duas exposições que apresentam o vigor da produção artística de Angola e a tradição africana reinventada pela arte contemporânea na Bahia. A SOSO monta a primeira mostra individual do artista angolano YONAMINE no Brasil, ao mesmo tempo em que inaugura o espaço SOSO+ (lê-se SOSO Plus) com a exposição PRIMEIRA PONTE, uma coletiva de sete artistas baianos. A visitação das duas exposições vai acontecer até o dia 14 de agosto, de terça a sexta, das 11h às 19h, a aos sábados até as 16h.
“Me sinto honrado. Para mim, é um ato extremamente importante proporcionar em São Paulo este encontro, entre artistas africanos e baianos. Esta cidade, que é uma das maiores e mais importantes do mundo, que possui uma intensa vida econômica e artística, esteve sempre mais voltada à Europa que à África, ou à própria America Latina. Acho que esta é uma grande oportunidade para os paulistas conhecerem mais desta produção”, afirma Mario de Almeida, proprietário da galeria SOSO arte contemporânea africana. “Além disso, a relação com a Bahia, com a arte produzida neste estado, que possui uma influência tão clara da cultura africana, dá até mais sentido à própria existência da SOSO no Brasil”, finaliza.

YONAMINE é um dos três representantes de Angola na 29ª Bienal de São Paulo (que ocorre em setembro deste ano). Um artista que recicla memórias e objetos, montando com suas obras uma crítica sutil e bem humorada do seu tempo. Ele tem se destacado no circuito internacional de arte contemporânea, participando de importantes mostras como a Bienal de Veneza, em 2007, a Sharjah Biennial (Emirados Árabes) e a Bienal de Havana, as duas últimas, em 2009.
Já a PRIMEIRA PONTE é parte de um projeto maior, o 3PONTES, que integra a II Trienal de Luanda e se desenha a partir de três momentos diversos da interação entre a África e a Bahia. A Primeira Ponte remete ao início desta relação - compreendido entre os séculos 16 e 19, período da escravidão, apresentando o trabalho de artistas que utilizam linguagens contemporâneas para expressar a forte influência da cultura africana. Estão em exposição, obras de nomes consagrados, como Mario Cravo Neto, e outros que mais recentemente têm se destacado no circuito local e em eventos internacionais de artes visuais, como o próprio filho de Mario, Christian Cravo, além de Ayrson Heraclito, Eneida Sanches, Gaio Matos, Flavio Lopes e Marcondes Dourado.
“A Primeira Ponte apresenta artistas que, através de suportes diversos, novas leituras e abordagens, resignificam o rico legado da cultura africana”, disse Daniel Rangel, curador do projeto 3PONTES. “São artistas que retratam os personagens, a religiosidade e os conflitos estabelecidos pela relação entre a Bahia e a África a partir de um olhar contemporâneo, com referências globais que surgem do diálogo com o mundo e, principalmente, com a própria África”, afirma Daniel, que é diretor de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, uma unidade da Secretaria de Cultura do Estado. A DIMUS é apoiadora deste projeto, assim como o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), que emprestou obras do seu acervo para a exposição.
Além de marcar a abertura da SOSO+, um novo espaço para a arte contemporânea na cidade de São Paulo – localizada no antigo Hotel Central, em frente à própria galeria SOSO - a realização destas duas mostras assinala o começo de um ciclo de exposições que vão transformar São Paulo no ponto de encontro e local de diálogo entre o que há de melhor na produção atual de artes visuais de Angola e na Bahia. Ao todo, serão montadas três exposições individuais dos artistas angolanos que participam da Bienal de São Paulo (além de Yonamine, veremos ainda os trabalhos de Kiluanji Kia Henda e Nástio Mosquito), sempre ao lado das mostras coletivas dos baianos do projeto 3PONTES.
Juntos, esses artistas apresentam um pouco da sua história, dos personagens e do coditiano de suas cidades. Eles exploram a africanidade através de um trabalho intimista e rigoroso, apontando para novos caminhos na arte visual contemporânea.
Como disse a crítica portuguesa, Carla de Utra Mendes, que assina o texto de Yonamine: “Num mundo globalizado em que as referências circulam num fluxo interminável, artistas como este informam-nos de abordagens outras que nos permitem repensar o lugar do Outro cultural e da sociedade ocidental que a pouco e pouco cai em desuso. Os mestiços, os crioulos, aqueles que possuem uma dupla, tripla ou múltipla referência identitária, os semionautas ou radicantes como lhes chama N. Borriaud, são, atualmente, o novo vigor que a arte precisa para se manter viva e sair da apatia em que acabou por se enterrar”.

| Cidade: | São Paulo |
| Endereço: | Galeria SOSO Arte Contemporânea Africana | Av. São João, 313, 2o andar |
| Inicio: | 02/07/2010 |
| Fim: | 14/08/2010 |
| Horário: | Segunda a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 16h30 |
| E-mail: | soso@soso-artecontemporaneaafricana.com |
| Telefone: | (11) 3222-3973 |
| Site | www.soso-artecontemporaneaafricana.com/ |




















